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Vitamina D não é a cura da covid-19, mas sol e sono equilibrado podem ajudar


Especialistas alertam que as pessoas não devem fazer uso de suplementos, pois excesso pode ser prejudicial à saúde (Pòr Paula Felix)

A notícia vinda da Itália de que a vitamina D poderia ser uma aliada para evitar o novo coronavírus e teria impactos positivos em pacientes infectados pela covid-19 logo se espalhou e despertou o interesse das pessoas pela vitamina. Mas especialistas alertam que as pessoas não devem fazer uso de suplementos, pois, em excesso, a vitamina pode causar danos aos rins e quadros de desidratação, fadiga e confusão mental.

Para quem busca aumentar a imunidade, a fórmula é conhecida: alimentação saudável, prática de exercícios, tomar líquido e dormir bem. No caso da Itália, diante de um expressivo número de pacientes com a doença que apresentavam deficiência de vitamina D, os professores da Universidade de Turim Giancarlo Isaia e Enzo Medico elaboraram um documento reunindo estudos que apontavam benefícios da vitamina, como redução do risco de infecções de origem viral e capacidade de neutralizar danos nos pulmões causados por hiperinflamações, e sugeriram aos médicos que buscassem garantir os níveis adequados da vitamina principalmente em pacientes que não se expõem ao sol, como idosos com a saúde frágil.

O documento, apresentado a membros da Academia de Medicina de Turim, sugere ainda a possibilidade de administração, por via intravenosa, da forma ativa da vitamina D em pacientes com a doença e com a função respiratória comprometida. Em comunicado divulgado pela revista da universidade na segunda-feira, os professores destacaram que, embora apresente links para artigos publicados sobre pesquisas que já foram realizadas, o documento elaborado por eles não se trata de um estudo científico.

O Estado levantou dúvidas com base em questões enviadas por leitores do grupo EstadãoInforma: Coronavírus, espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia criado pelo jornal no Facebook.

As respostas têm como base entrevistas com Rosana Perim, gerente de nutrição do HCor, e Sergio Setsuo Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo (SBEM-SP), e também reportagens do Estado. O grupo é um espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia na rede social. Qualquer usuário pode enviar dúvidas.

Quero me proteger do novo coronavírus. Devo tomar suplementos de vitamina D?
Não, embora estudos tenham apontado os benefícios da vitamina para doenças respiratórias, especialistas dizem que a eficácia foi notada em pacientes que tinham um déficit muito acentuado do nutriente. Além disso, suplementos devem ser tomados com prescrição de um médico ou nutricionista. A recomendação para ter bons níveis de vitamina D no organismo é tomar 20 a 30 minutos de banho de sol por dia. Em alimentos, ela está presente em óleos e peixes.

Quais são os riscos de tomar vitamina D em excesso?
Pode levar ao aumento de cálcio do sangue, favorecendo a formação de cálculos nos rins e podendo causar até perda da função renal, confusão mental, desidratação, fadiga, fraqueza muscular e náuseas.

O que devo evitar para manter minha imunidade alta?
Hábitos como manter uma alimentação rica em gordura e embutidos, ser sedentário, beber em excesso, fumar e ficar estressado. Dietas muito restritivas também podem ser prejudiciais.

Quais alimentos devo consumir para fortalecer minha imunidade?
O ideal é ter uma alimentação variada, com consumo de frutas, legumes, verduras. As pessoas não devem deixar de lado as proteínas, porque elas são componentes das células de defesa do sistema imunológico.

Guia
Fortalecer o sistema imunológico é importante durante a pandemia, mas não existe vitamina específica para fazer este papel. A alimentação é fundamental para alcançar esse objetivo

Vitamina D
Embora pesquisadores tenham avaliado aspectos positivos da vitamina para pacientes, as pessoas não devem tomá-la por conta própria. A superdosagem pode causar problemas renais, fraqueza, confusão mental e desidratação

Mantenha-se hidratado
Pode ser com água, suco ou chá. Os líquidos regulam a temperatura corporal, ajudam a transportar os nutrientes e a eliminar substâncias tóxicas

Tenha uma alimentação saudável
Os principais nutrientes que podem fortalecer a imunidade estão presentes em frutas, legumes, verduras, ovos, leite e derivados. As proteínas, vegetais e animais, também são importantes

Durma bem
O sono também é importante para o fortalecimento do sistema imunológico. Mantenha os horários habituais de dormir e acordar. A recomendação é de dormir sete a nove horas por noite
Sou vegetariano e não consumo proteína animal. Minha imunidade será mais baixa?
Não, porque as proteínas vegetais, presentes em alimentos como o grão-de-bico, por exemplo, vão fazer esse papel.

Não gosto de cozinhar. Posso comprar alimentos industrializados?
O ideal é evitar os alimentos industrializados, porque eles não são ricos em nutrientes e podem ter excesso de gordura, açúcar ou sal. Eles também favorecem o ganho excessivo de peso. Diante da situação de isolamento, preparar as refeições pode se tornar um momento especial. Para quem tem crianças, pode ser uma maneira de conversar sobre a importância de uma alimentação saudável.

Preciso me hidratar bem neste período?
Sim. Pode ser com água, chá ou suco. Os líquidos regulam a temperatura corporal, fazem o transporte dos nutrientes e ajudam a eliminar substâncias tóxicas.

Estou em isolamento social. Preciso manter meus horários de dormir e acordar?
O ideal é que toda a rotina seja mantida, sono, refeições, atividades físicas. Dormir bem é importante para a imunidade e o recomendado é de sete a nove horas por noite. (Fonte: Estadão)