Presidente do TST celebra fim da escala 6x1 e cita 104 milhões de faltas no trabalho em 10 anos
Ministro compara mudança atual à redução constitucional de 48 para 44 horas. Corte trabalhista vê efeito econômico positivo também para empregadores (Por Cristiane Gercina)O presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Luiz Philipe Vieira de Mello Filho, celebrou o fim da escala 6x1 —na qual se trabalham seis dias com um de folga— ao abrir a Seção de Dissídios Coletivos nesta quinta-feira (15).
Segundo ele, a redução da jornada aprovada pelo Senado e a criação da escala 5x2 devem trazer impacto positivo, em especial, para as mulheres e diminuir o número de faltas ao trabalho. Vieira de Mello Filho citou pesquisa na qual, em dez anos, houve 104 milhões de faltas por adoecimento, o que causa prejuízo aos empregadores.
"Celebramos a decisão do parlamento brasileiro de redução da jornada, de dois dias de repouso. [...] Nós acreditamos que, com isso, possamos progredir no que tange à proteção à saúde dos trabalhadores e também reduzir esse impacto econômico aos empregadores. Foram 104 milhões de dias de abstenção do trabalho em dez anos", disse.
Vieira de Mello Filho chamou a medida de "avanço", disse que ela será "compatibilizada" com facilidade no futuro e lembrou que a Constituição de 1988 já havia reduzido a jornada de trabalho de 48 horas para 44 horas semanais, regra válida neste momento no país.
O fim da escala 6x1 foi aprovado no Senado Federal na noite desta quarta-feira (14), em dois turnos de votação, em vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que desde o início de sua vida pública como sindicalista, defende a redução da carga horária dos trabalhadores, sem redução de salário.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente da República que saiu na frente no primeiro turno, votou a favor da proposta, mesmo tendo se mostrado contrário à medida, apoiado a PEC (proposta de emenda à Constituição) das horas trabalhadas —em que o profissional ganha por hora— e trabalhado nos bastidores contra a aprovação.
O placar no Senado surpreendeu. Para aprovar uma emenda constitucional, são necessários votos de 49 dos 81 senadores. A medida teve 75 votos favoráveis e apenas um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da casa, não votou, mas se disse a favor.
"Então o impacto disso para os empregadores é absurdo, é uma importância vultosa e esses trabalhadores têm a sua saúde comprometida", disse ainda Vieira de Mello Filho.
"Para nós que somos magistrados trabalhistas e acompanhamos a vida dos trabalhadores brasileiros, sobretudo das mulheres que trabalham, essa emenda que restou aprovada ontem é um avanço em termos sociais", afirmou.
Segundo ele, a medida atingirá em especial as mulheres, que precisam dos finais de semana ou do dia de repouso com a família após trabalhar "em dois três turnos de jornada no trabalho do cuidado em casa" e no trabalho. "Foi um avanço que será compatibilizado com muita tranquilidade no futuro."
"Nós já tivemos a redução na constituição federal de 48 para 44 horas e nós percebemos o quanto isso foi importante para tantas pessoas." (Fonte: Folha SP)
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