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O que balanços do 2T de Itaú, Santander e Bradesco indicam para Banco do Brasil?

Entre os principais pontos de atenção está justamente o agronegócio, segmento no qual o Banco do Brasil possui a maior exposição entre os grandes bancos do país (Por Camille Bocanegra) - foto Paulinho Costa feebpr -

Os resultados do segundo trimestre dos grandes bancos brasileiros divulgados já mostraram pontos importantes para o Banco do Brasil, que trará seu balanço em 12 de agosto. Se, por um lado, os números de Itaú, Bradesco e Santander reforçaram a resiliência das receitas financeiras em um ambiente de juros elevados, por outro aumentaram as preocupações com a qualidade dos ativos, especialmente em segmentos mais sensíveis da economia.

Entre os principais pontos de atenção está justamente o agronegócio, segmento no qual o Banco do Brasil possui a maior exposição entre os grandes bancos do país. O alerta ganhou força após a divulgação dos resultados do Bradesco, que evidenciaram uma deterioração relevante na carteira do John Deere Bank, instituição focada no financiamento do setor rural e da qual o banco é sócio desde 2024.

Segundo análise do JPMorgan, cerca de 10% da carteira do John Deere Bank migrou da categoria Stage 1 para Stage 2 apenas no segundo trimestre, movimento que exige provisões maiores e indica aumento do risco de inadimplência. Pelos cálculos do banco americano, aproximadamente R$ 1,7 bilhão em operações sofreram deterioração de risco no período.

Para os analistas do JPMorgan, o dado funciona como um sinal importante para o Banco do Brasil, uma vez que o crédito rural representa cerca de 32% de sua carteira ampliada. A leitura é que os mesmos desafios observados no ecossistema do agronegócio, incluindo juros elevados, preços mais baixos de algumas commodities e dificuldades financeiras de produtores, podem aparecer nos números do banco estatal.

Qualidade de ativos
A preocupação ganha relevância porque a qualidade dos ativos foi justamente um dos temas centrais da temporada de balanços. No Bradesco, apesar do lucro recorrente de R$ 7,05 bilhões e da continuidade da recuperação operacional, investidores reagiram negativamente à alta das operações classificadas como Stage 2, ao aumento da inadimplência acima de 90 dias e à redução do índice de cobertura.

Já o Santander trouxe uma mensagem semelhante. O banco frustrou parte do mercado com provisões maiores e receitas mais fracas, levando o JPMorgan a revisar para baixo suas projeções. A instituição destacou que o cenário de crédito continua desafiador e que a busca por menor risco tem levado os bancos a adotar critérios mais conservadores na concessão de empréstimos.

No caso do Banco do Brasil, o mercado deverá acompanhar atentamente se houve aumento das provisões relacionadas ao agronegócio e se a inadimplência do segmento mostrou nova deterioração. Desde o início do ano, boa parte das discussões envolvendo a tese de investimento do banco tem girado em torno da evolução da carteira rural e da capacidade da instituição de absorver eventuais perdas sem comprometer a rentabilidade.

Por outro lado, nem todos os sinais observados nos resultados dos concorrentes são negativos. O Itaú mostrou que continua sendo possível preservar a qualidade dos ativos mesmo em um ambiente macroeconômico mais complexo. O banco encerrou o trimestre com inadimplência acima de 90 dias estável em apenas 1,9%, sustentada por uma estratégia mais seletiva e focada em linhas de crédito consideradas menos arriscadas.

A experiência do Itaú também reforça a importância da diversificação das receitas. Mesmo após reduzir seu guidance para tarifas e seguros, o banco manteve crescimento dos lucros e um ROE de 24,3%, apoiado pela expansão da carteira de crédito e pelo desempenho da margem financeira.

Para o Banco do Brasil, isso significa que investidores deverão olhar não apenas para os indicadores ligados ao agro, mas também para a capacidade de compensar eventuais pressões de crédito com receitas de serviços, tesouraria e outras linhas de negócios. A evolução da margem financeira será acompanhada de perto, especialmente em um contexto de juros ainda elevados.

Outro aspecto relevante é que parte dos analistas vê potencial para uma melhora gradual da carteira rural ao longo do segundo semestre. O JPMorgan destaca que operações classificadas em Stage 2 costumam apresentar recuperação após renegociações, cobranças e regularização de pagamentos, o que pode amenizar parte das preocupações atuais.

Além disso, o mercado ainda deve ficar de olho nos possíveis efeitos da MP 1376, voltada à renegociação de dívidas rurais. A expectativa de parte dos investidores é que a medida contribua para aliviar a pressão financeira sobre produtores e reduzir os níveis de inadimplência do setor ao longo dos próximos trimestres.

Nesse contexto, os números do Banco do Brasil podem funcionar como um importante termômetro para avaliar a real extensão dos problemas enfrentados pelo agronegócio brasileiro. Como principal financiador do setor no país, o banco tende a oferecer uma visão mais abrangente da qualidade de crédito rural do que a observada em instituições privadas.

A reação das ações também deverá depender da intensidade dessas pressões. O exemplo do Bradesco mostrou que mesmo resultados sólidos de lucro não garantem uma recepção positiva do mercado quando surgem dúvidas sobre a qualidade da carteira.

Assim, a temporada de balanços dos bancos aponta para um cenário misto para o Banco do Brasil. Enquanto indicadores de receitas e rentabilidade do setor seguem mostrando resiliência, as evidências de deterioração em carteiras ligadas ao agronegócio elevam o grau de cautela.

No dia 12, os investidores buscarão principalmente uma resposta para uma questão: se os sinais de alerta vistos nos concorrentes também aparecerão de forma relevante no maior financiador do campo brasileiro. (Fonte: Info Money)

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