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Família é condenada por desviar mais de R$ 31 milhões do Banco do Brasil e da Caixa

Esquema envolvia funcionários e dirigentes da extinta Embraforte, extinta transporte de valores; penas chegam a 28 anos de prisão. Esquema envolvia o depósito nos caixas eletrônicos de menos dinheiro do que o transportado (Por Gabriel Rezende) - imagem gerada por IA -

A Justiça Federal condenou quatro integrantes de um grupo acusado de desviar mais de R$ 31,6 milhões do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Eles atuavam na extinta Embraforte, empresa de transporte de valores com sede em Belo Horizonte. As sentenças da 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte apontam que os funcionários retiravam parte do dinheiro destinado a caixas eletrônicos e transferiam os valores para contas ligadas ao grupo.

O esquema ocorreu entre 2012 e 2015. Segundo as decisões, dirigentes da empresa, que pertenciam à mesma família, coordenavam as fraudes. Ao todo, o grupo desviou R$ 22,7 milhões do Banco do Brasil e R$ 8,8 milhões da Caixa, conforme a investigação.

O esquema funcionava durante o abastecimento dos caixas eletrônicos. Os funcionários colocavam nos terminais quantias menores do que as registradas nos sistemas bancários e nas guias da empresa. Depois, desviavam a diferença para contas de empresas e pessoas ligadas aos envolvidos.

As sentenças também apontam que o grupo distribuía o dinheiro por meio de empresas da família, depósitos em espécie e compra de bens. A Justiça considerou que as operações configuraram lavagem de dinheiro.

O principal gestor da Embraforte, apontado como líder do esquema, recebeu a maior pena: 28 anos, 7 meses e 25 dias de prisão, em regime inicial fechado, além de 816 dias-multa. Ele foi condenado por peculato continuado, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Dois filhos dele, que também atuavam na gestão da empresa, foram condenados a 25 anos, 1 mês e 10 dias de prisão cada, em regime inicial fechado. Cada um também deverá pagar 571 dias-multa. Ambos responderam pelos mesmos três crimes.

O gerente de base da Embraforte recebeu pena de 15 anos, 3 meses e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, além de 349 dias-multa. De acordo com a sentença, ele repassava e executava as ordens da direção.

Já o supervisor de tesouraria, apontado como responsável por falsificar guias usadas na operação, foi condenado a 8 anos, 3 meses e 25 dias de prisão, em regime inicial semiaberto, além de 203 dias-multa. Ele foi considerado culpado por peculato continuado e organização criminosa.

Todos os quatro condenados poderão recorrer em liberdade.

Oito réus foram absolvidos
A Justiça absolveu três réus das acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa por falta de provas de que cometeram os crimes. Embora integrassem o quadro societário da empresa, essa condição não foi suficiente para sustentar a condenação.

Outros cinco réus foram absolvidos, também por insuficiência de provas, da acusação de lavagem de dinheiro relacionada às empresas RRJ Comércio e Representações Ltda., Cologne Holding do Brasil Ltda. e Reta Rápido Ltda.

A sentença determinou ainda o perdimento dos bens apreendidos durante as investigações. Os valores obtidos com esses bens deverão ser destinados prioritariamente ao ressarcimento do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

A reportagem tentou, sem sucesso, contato com a defesa dos réus. O espaço permanece aberto para posicionamento. (Fonte: O Tempo)

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