Banqueiros podem pagar
Com lucros bilionários o setor bancário segue como um dos mais lucrativos e com o maior acúmulo de patrimônio líquido do país. Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões. Somente no 1º trimestre deste ano, os lucros atingiram R$ 29,8 bilhões. Em relação ao patrimônio líquido, no ano passado o setor bancário registrou o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma dos dois setores mais rentáveis do país, em 2025, que foram eletroeletrônica e mecânica, que, juntos, apresentaram patrimônio líquido de R$ 48 bilhões.Os bancos possuem total capacidade de atender nossas reivindicações e valorizar os trabalhadores que constroem seus resultados com aumento real.
Banqueiros podem pagar
Os dados apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários na mesa de negociação mostram, de forma inequívoca, que os banqueiros possuem todas as condições para atender às reivindicações da categoria:
- Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação;
- Após a pandemia, entre 2020 e 2025, a variação real do lucro no setor bancário apresentou grande crescimento: 61% nos bancos privados, 10% nos bancos públicos; 1.580% nos bancos digitais;
- Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões;
- A rentabilidade média dos bancos, desde 2003, fica invariavelmente muito acima da inflação. Mesmo após a pandemia, a rentabilidade média ficou três vezes acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo);
- A taxa de juros reais, diferença entre a taxa de juros e a inflação, no Brasil, é uma das maiores do mundo. Portanto, análises que envolvam comparação de rentabilidade dos bancos com a taxa de juros Selic devem levar em conta a especificidade brasileira. Mesmo com a Selic em patamar muito elevado (média de 14,33% em 2025), a ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) média dos bancos supera a taxa. Após a pandemia, ficou, em média, 2,3 vezes acima e, desde 2022, está 1,2 vezes acima;
- O Patrimônio Líquido (PL) somado dos dois setores mais rentáveis que os bancos, em 2025, somou R$ 48 bilhões. O PL do setor bancário foi de cerca de R$ 1,2 trilhão, ou seja, 25 vezes maior.
Além dos dados econômicos, o Comando Nacional apresentou dados referentes à trajetória da remuneração da categoria, que comprovam a necessidade de valorização dos trabalhadores:
- A redução do emprego na categoria levou a uma queda na massa salarial real de 17% desde 2014 e de 2% no ano passado, o que corresponde a uma perda de R$ 1 bilhão por mês para os trabalhadores;
- Entre 2019 e 2025, as despesas de pessoal (salário, PLR, VA/VR e outros itens de remuneração) nos bancos caíram 15%. Separando a PLR dessa conta, a queda foi ainda maior: 17%;
- Em 2025, a cobertura das despesas com pessoal com a receita com tarifas dos cinco maiores bancos, uma receita secundária, foi de 123%. Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagam toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%. Quando retirada a PLR da conta, essa cobertura sobe para 142%;
- A média da remuneração per capita anual de um diretor estatutário de banco é de R$ 10,3 milhões, 120 vezes maior que a remuneração anual da função de escriturário, incluindo salários, 13º, férias, VA, VR e PLR;
- Desde 1997, a PLR de caixa teve aumento real de 140%. No mesmo período, o crescimento real do lucro dos bancos foi de 360%, 2,6 vezes maior que o valor da PLR;
- Ainda que a CCT preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%;
- A inflação estimada para a data-base da categoria bancária de 2026 é de 4,39%. Para retomar a mesma relação observada em setembro de 2019 (1,34 vezes) do vale-alimentação em relação ao valor da cesta básica, seria necessário um reajuste de cerca de 40%. Ou seja, dos atuais R$ 924,47 para R$ 1.293,73;
- Em cinco municípios (São Paulo, Brasília, Osasco, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), que juntos somam 50% da categoria bancária, o preço médio da refeição é superior ao vale-refeição atual de R$ 53,33/dia dos bancários.
A Fenaban também deu retorno das reivindicações do Comando dos Bancários sobre saúde e condições de trabalho, apresentadas na negociação de 21 de julho. Porém, também trouxe para a mesa pontos que representam ataques aos direitos, rechaçados pela representação dos trabalhadores.
Embora os bancos representem apenas 0,7% do estoque de empregos do país, foram responsáveis por 2,8% do total de afastamentos acidentários registrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2024.
Quando considerados apenas transtornos mentais e comportamentais, os bancos múltiplos lideraram o ranking de atividades com maior número de afastamentos acidentários por saúde mental, com 1.946 registros, e ficaram na quinta posição nos afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências.
Entre as reivindicações para enfrentar o atual cenário de adoecimento da categoria, os bancários cobram a participação da representação dos trabalhadores na elaboração, implementação e acompanhamento do plano de gerenciamento dos riscos psicossociais (PGR), incluindo o mapeamento dos fatores de risco e a definição de ações de prevenção e combate ao assédio moral, conforme determina a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
Por sua vez, a Fenaban sinalizou disposição para debater periodicamente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas Comissões de Organização dos Empregados (COEs) e na mesa nacional de negociação. Consideramos um avanço e esperamos que estes debates resultem em medidas para prevenir o adoecimento.
Entretanto, a Fenaban argumentou também que os dados referentes à saúde dos trabalhadores estariam sendo impactados por uma maior facilidade de obtenção de atestados médicos, aumento no número de profissionais de saúde e ausência de perícia pelo INSS para concessão de afastamentos. Os banqueiros também criticaram os dados da plataforma Smartlab.
O adoecimento da nossa categoria não pode ser atribuído à maior facilidade de acesso a serviços e atestados médicos, mas sim ao modelo de gestão dos bancos, marcado por metas abusivas, pressão por resultados, assédio e sobrecarga. Reforçamos nossas reivindicações, deixando claro que o debate sobre a saúde dos trabalhadores deve ser focado na prevenção e na melhoria das condições de trabalho, e não colocando em xeque atestados médicos e afastamentos.
Não compactuamos com fraudes. Também não podemos pautar o debate a partir de má-fé, seja de alguns médicos ou de trabalhadores. Entidades internacionais, como a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a OMS (Organização Mundial da Saúde), e nacionais, como o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho, afirmam que a sobrecarga no trabalho está diretamente relacionada ao adoecimento mental dos trabalhadores.
A Fenaban solicitou ainda a revisão da Cláusula 29 da CCT, que trata da complementação do benefício por incapacidade temporária, de natureza previdenciária ou acidentária. Os banqueiros colocaram como proposta que o médico do trabalho dos bancos possa avaliar, a cada 45 dias, a continuidade do direito à complementação.
O Comando dos Bancários ressaltou, no entanto, que repudia qualquer alteração que possa resultar em restrição de direitos ou prejuízos aos trabalhadores. Por sua vez, diante da reação do Comando, a Fenaban recuou da proposta sobre a Cláusula 29, mas o debate sobre saúde e condições de trabalho será retomado nas próximas negociações. (Com Seeb SP)
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