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Bancos deixam índice em aberto; negociação continua nesta quinta-feira

Mesa registra avanços pontuais e mantém expectativa por nova proposta hoje

A rodada de negociação entre a Contec e a Fenaban terminou mais uma vez sem definição sobre o índice de reajuste da categoria. A mesa, realizada ontem (26), em São Paulo, registrou sinalização em pontos da pauta econômica, como Vale-Alimentação (VA), Vale-Refeição (VR), piso salarial e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mas sem avanços suficientes para aproximar as partes de um acordo.

A Confederação mantém como referência a reposição integral da inflação, o aumento real dos salários e a valorização das demais verbas econômicas previstas na pauta da Campanha Salarial 2026. Embora pontos que enfrentavam maior resistência tenham entrado na discussão, a avaliação é de que ainda há uma distância importante entre o que foi apresentado pelos bancos e as reivindicações da categoria.

A negociação será retomada nesta quinta-feira (27), às 10 horas, na 12ª rodada, com expectativa de que a Fenaban apresente novos números e uma proposta capaz de fazer a negociação avançar. A Contec seguirá na mesa em busca de uma construção que contemple as principais reivindicações dos bancários.

O Estado do Paraná está participando das negociações através do presidente da Federação (FEEB-PR) e do Sindicato de Cascavel, Gladir Basso; Tania Maria Lucas Soares, presidente do Sindicato de Paranaguá; Claudecir de Oliveira Souza, Carlos Roberto Rodrigues e Israel Lobo Coelho, respectivamente, presidente, vice-presidente e secretário geral do Sindicato de Maringá; Gilberto Lopez Leite, presidente do Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa.

Reapresentada, porque o mesmo modelo de reajuste já havia sido colocado na mesa pela Fenaban na última rodada, a proposta patronal prevê reajuste de 2,57% para os salários, demais remunerações e auxílios. Além disso, os banqueiros propuseram ontem:

* PLR: Reajuste do teto da regra básica de 2,57%. Isso impactaria positivamente a PLR de 8% da categoria (beneficiando, portanto, somente cerca de 35 mil pessoas); A exigência do movimento sindical é de mudanças em toda a regra básica da PLR: reajustes nos tetos, nas parcelas fixas e melhoria na PLR Adicional.

* Vale-alimentação: Reajuste conforme inflação para “alimentação em domicílio”, medida pelo IPCA, hoje em 2,57% e com estimativa de 2,99% para a data-base da categoria (1 de setembro). Esse ajuste significaria perda de 1,1% em relação ao INPC da data base.


* Vale-refeição: Reajuste conforme a inflação da “refeição fora do domicílio”, medida pelo IPCA, hoje em 4,5%.


O movimento sindical rebateu a proposta afirmando que, “na negociação anterior eles haviam congelado a PLR. Nesta, propuseram reajustar apenas o teto da regra básica, o que continua prejudicando a maioria dos trabalhadores, com índice sem aumento real. Exigimos melhoras na parcela adicional, de modo que valorize a PLR de todos os bancários e bancárias”.

A representação dos bancários registrou ainda que, de um total de 10.126 reajustes já firmados em convenções coletivas neste ano, 87,1% das categorias obtiveram ganho real e o que o setor mais lucrativo do país está propondo aos seus trabalhadores é um reajuste que significa menos de 1% do lucro total que atingiu, em 2025, R$ 182 bilhões. “Considerando que, em 2026, o lucro dos bancos irá crescer ainda mais, a proposta não significará quase nada no bolso dos banqueiros", avalia o movimento sindical, sustentando ainda que “o salário da categoria perdeu poder de compra nos últimos 12 meses. O poder de compra do VA e VR, que teve uma perda enorme durante o governo Bolsonaro, até hoje não foi recomposto. O percentual de lucro distribuído com a PLR é reduzido a cada ano. Não podemos aceitar uma proposta sem aumento real para salários e todas as demais verbas, sem valorização da PLR, do VR e do VA”.

Se por um lado os banqueiros querem impor perda salarial aos bancários, por outro acabam de anunciar, na Febraban Tech, que os bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia até o final de 2026. Enquanto se recusam a melhorar a distribuição dos lucros aos trabalhadores, a valorizar o VR e VA, os bancos já aprovaram, para 2026, uma remuneração média anual de R$ 12,5 milhões para os altos executivos – reajuste de mais de R$ 1 milhão em relação a 2025.

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